O ex-assessor parlamentar Sérgio Roberto Castilho Vieira, conhecido como Serginho, é um dos investigados na Operação Dirty Pix, que apura suspeitas de desvio de R$ 18 milhões do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia (MS). Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), ele teria cobrado pagamentos ilícitos após a liberação de recursos destinados à reforma da unidade, que recebeu R$ 8,5 milhões da Itaipu Binacional. Neste ano, Serginho também doou R$ 25 mil para a campanha de reeleição do deputado federal Dagoberto Nogueira (PP), de quem foi assessor por vários anos.
De acordo com o Grupo Especial de Combate à Corrupção (GECOC), mensagens trocadas entre Serginho e o presidente do hospital, Jacob Meeuwis Breure, indicariam cobranças de propina por meio de expressões codificadas, como “tô com sede”. Em setembro de 2024, os investigadores identificaram um pagamento de R$ 290 mil, supostamente relacionado ao esquema. O valor teria sido dividido em duas notas fiscais, de R$ 210 mil e R$ 80 mil, emitidas por diferentes entidades para dar aparência de legalidade às transferências, segundo a investigação.
O MPE também aponta indícios de pagamentos em dinheiro vivo nos meses de novembro e dezembro de 2024, mas ainda não conseguiu determinar o montante. Para aprofundar a apuração, os promotores solicitaram a quebra dos sigilos bancários dos investigados. A operação investiga possíveis irregularidades no uso de recursos públicos destinados à saúde, área em que desvios comprometem diretamente a capacidade de atendimento à população.
Serginho constou como assessor parlamentar de Dagoberto na Câmara dos Deputados entre dezembro de 2016 e 2021. Na campanha eleitoral deste ano, sua doação de R$ 25 mil ficou atrás apenas das contribuições da direção nacional do PP, de R$ 2,6 milhões, e do próprio deputado, de R$ 310 mil, conforme os dados citados na reportagem original.
A equipe de redação do portal O Jacaré procurou Serginho e Dagoberto não haviam se manifestado até a publicação da notícia. A defesa de Jacob Breure também não respondeu. As suspeitas estão sob investigação e não representam, por si só, condenação criminal dos envolvidos.