A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) está fora do Brasil desde antes de ser condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma transmissão ao vivo nesta terça-feira (3), a parlamentar afirmou que foi aos Estados Unidos para realizar um tratamento médico e que pedirá licença do mandato. Ela também disse que pretende se mudar para a Europa, onde possui cidadania.
A fuga do país ocorre dias após a Primeira Turma do STF condená-la por participação na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com auxílio do hacker Walter Delgatti Neto. A pena, em regime fechado, inclui ainda multa de R$ 2 milhões por danos e a perda do mandato, que ainda depende de decisão da Câmara após o trânsito em julgado.
Zambelli afirma que a saída do país é também um ato de “resistência”. Segundo ela, o Brasil vive sob um regime de “censura e ditadura judicial”. A deputada prometeu denunciar o país em cortes internacionais, citando Portugal, Espanha, Itália e França. “Me cansei de ficar calada diante de uma pressão judicial”, disse.
Ela também afirmou que sua mãe assumirá o controle das redes sociais e que está tomando medidas para não perder seus milhões de seguidores caso seu perfil seja retirado do ar por decisão judicial.
Durante a live, Zambelli atacou o STF, criticou as urnas eletrônicas e voltou a afirmar que as eleições de 2022 foram injustas. Disse que não foi a responsável pela derrota de Jair Bolsonaro e que foi usada como “bode expiatório” após perseguir um homem armada às vésperas do segundo turno.
A condenação da deputada foi baseada em sua colaboração com Delgatti, que assumiu a autoria da invasão ao sistema do CNJ. Ele também foi condenado a mais de 8 anos de prisão. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, classificou a ação como uma grave ameaça à segurança institucional.
A defesa de Zambelli ainda não comentou oficialmente a condenação nem sua saída do país.