Na semana em que se completam dez anos de
Lava Jato, Deltan Dallagnol, ex-coordenador da operação, criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). O comentário se deu depois do ministro
Dias Toffoli suspender multas bilionárias de empreiteiras condenadas por corrupção.
Conhecida como maior ação de combate à corrupção da história do país, a Lava Jato descobriu um megaesquema de corrupção na
Petrobras. As investigações envolveram políticos de diferentes partidos e grandes empresas, públicas e privadas.
Em 79 fases, a Lava Jato obteve 553 denunciados, 163 prisões temporárias, 132 prisões preventivas, 1.450 buscas e apreensões. Além disso, a operação foi responsável por
devolver R$ 4,3 bilhões aos cofres públicos.
Porém, uma década depois do início desse trabalho, Dallagnol afirma que a operação
foi desmontada por uma reação política de partidos e do STF. De acordo com ele,
“Hoje nenhum político corrupto tem medo de ir para a cadeia”.
No início de fevereiro, Dias Toffoli
suspendeu a multa de R$ 8,5 milhões que a empreiteira Odebrecht, hoje Novonor, tinha que de pagar ao Estado, por ter praticado corrupção durante o governo do PT. Em dezembro de 2023, o magistrado já havia suspendido uma multa de R$ 10,3 bilhões aplicada à J&F, empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
O ministro do STF alegou que as decisões se baseiam em informações da Operação Spoofing, de 2019. De acordo com Toffoli, as informações mostrariam que havia um “conluio entre o juízo processante e o órgão de acusação”. Por isso, na visão dele, as provas colhidas na época da Lava Jato deveriam ser anuladas.
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