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Quarta-feira, 23 de Setembro 2026
Política

Dois alvos, duas crises: o ‘faro’ de Rafael Tavares para as torneiras financeiras de Campo Grande

Vereador defendeu investigações sobre as contas da Santa Casa e o contrato do Consórcio Guaicurus antes de novas apurações sobre as duas estruturas

Redação
Por Redação
Dois alvos, duas crises: o ‘faro’ de Rafael Tavares para as torneiras financeiras de Campo Grande
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Antes de investigações policiais, prisões e medidas administrativas colocarem os holofotes sobre duas estruturas importantes de Campo Grande, o vereador Rafael Tavares (PL) já havia escolhido esses setores como alvos de fiscalização. Primeiro, voltou sua atenção para as contas da Santa Casa. Depois, participou da articulação política em torno da CPI do Consórcio Guaicurus. Em comum entre os dois casos estava uma preocupação central: entender para onde estava indo o dinheiro e se havia transparência na utilização dos recursos.

A postura não surgiu apenas depois das crises. Ao assumir o mandato na Câmara Municipal, Tavares afirmou que sua atuação seria concentrada na fiscalização dos gastos públicos e na investigação de possíveis problemas na administração. Em março de 2025, apresentou requerimento para investigar as finanças da Santa Casa, questionando contratos, despesas e a origem do déficit anunciado pela instituição. Dois meses depois, informou ter reunido 14 assinaturas para a instalação da CPI. No transporte coletivo, a CPI do Guaicurus passou a investigar a execução do contrato de concessão, a fiscalização do serviço, a situação da frota e possíveis descumprimentos contratuais.

A sequência dos acontecimentos deu novo significado às cobranças feitas anteriormente. A Santa Casa acabou sendo alvo da Operação Antidotum, que apura suspeitas de fraudes e desvios relacionados a contratos e pagamentos da instituição. O Consórcio Guaicurus, por sua vez, passou por intervenção da Prefeitura e também entrou no radar de diferentes apurações sobre sua gestão e situação financeira. Isso não significa que Tavares tenha antecipado as operações ou que suas CPIs tenham provocado as investigações, mas mostra que o vereador escolheu, desde cedo, mirar estruturas nas quais havia grandes fluxos financeiros, contratos públicos, desequilíbrio econômico e questionamentos sobre transparência.

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Politicamente identificado com a direita conservadora, Tavares construiu sua atuação pública marcada por posições firmes e por uma disposição declarada de confrontar estruturas que considera pouco transparentes. Sua proximidade intelectual com o pensamento de Olavo de Carvalho também faz parte do ambiente político no qual construiu sua trajetória.

É justamente nessa combinação entre discurso político e fiscalização que surge o apelido de “faro para as torneiras financeiras”. Não porque o vereador tivesse conhecimento prévio dos crimes posteriormente investigados, algo que não está demonstrado, mas porque suas escolhas de fiscalização acabaram coincidindo com dois dos pontos que posteriormente passaram a concentrar investigações, medidas administrativas e questionamentos sobre a utilização de recursos. Em política, a diferença entre fazer barulho e escolher onde olhar pode estar justamente aí: identificar onde estão os grandes fluxos de dinheiro e perguntar, antes de todo mundo, quem controla a torneira.

FONTE/CRÉDITOS: Quadro Geral
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