A tão anunciada cúpula do Brics que acontece neste fim de semana (6 e 7 de julho) no Rio de Janeiro escancara a realidade: o bloco está cada vez mais desarticulado e o protagonismo internacional prometido por Lula não saiu do papel.
Dos líderes das principais potências do bloco, quatro decidiram não pisar no Brasil:
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Xi Jinping (China)
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Vladimir Putin (Rússia)
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Masoud Pezeshkian (Irã)
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Abdel Fattah el-Sisi (Egito)
A ausência de Putin era previsível: ele é alvo de mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional e, mesmo com Lula garantindo que o Brasil “não prenderia”, o risco era grande demais para o russo. Xi Jinping, por sua vez, simplesmente optou por não vir, o que reforça a distância crescente entre Brasil e China, mesmo com os acenos diplomáticos constantes de Lula.
O que era para ser um encontro de gigantes virou um evento com poucos nomes de peso. Confirmados, até agora, apenas Narendra Modi (Índia) e Prabowo Subianto (Indonésia). Isso expõe a fragilidade do Brics e, mais ainda, do Brasil como líder desse grupo.
Discurso não compensa ausência de resultados
Lula pretende usar o evento para discursar sobre “governança global”, “inteligência artificial” e “desdolarização do comércio”. Mas não há consenso nem dentro do próprio bloco. A criação de uma moeda comum, por exemplo, é rejeitada por países como Índia e Indonésia. A ideia está longe de se tornar realidade — e soa mais como retórica populista do que política concreta.
Pior: o retorno de Donald Trump à Casa Branca acendeu o alerta. O republicano já avisou que retaliará com tarifas de até 100% os países que deixarem de usar o dólar. A mensagem foi clara: os Estados Unidos não vão tolerar aventuras anti-hegemônicas.
Brics: bloco ampliado, mas descoordenado
O Brasil assumiu a presidência rotativa do Brics em 2025 e vem tentando usar isso como vitrine política. Mas a ampliação do bloco — que agora soma 11 membros plenos e 10 “parceiros” — trouxe mais confusão do que coesão. O grupo está dividido em interesses econômicos, políticos e diplomáticos. Cada país puxa para um lado, e ninguém parece disposto a ceder para construir uma agenda comum.
Enquanto o mundo observa crises reais — guerra, inflação, protecionismo —, Lula tenta empurrar a regulação da inteligência artificial e propostas ambientais sem base concreta. Fala em proteger a Amazônia e garantir recursos internacionais, mas não há acordo sobre quem vai pagar essa conta. Tampouco há garantia de que os novos membros do Brics sequer tenham interesse nessas pautas.
A cúpula do Brics virou um palanque político para Lula, mas o conteúdo não sustenta o espetáculo. Sem os principais líderes, sem acordos firmes e sob ameaças externas, o encontro expõe a perda de relevância do bloco e a limitação do Brasil em comandar qualquer coalizão global com seriedade. A tentativa de construir um contraponto ao Ocidente parece cada vez mais uma ilusão — alimentada por discursos, mas desmontada pela realidade.
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