As manifestações contra o Congresso Nacional levantam uma pergunta simples: isso é espontâneo? O roteiro se repete: palco montado, artistas consagrados e show grátis. Sem atração, a rua esvazia. Com artista, aparece gente. O recado é claro.
A esquerda, que antes falava em mobilização popular, hoje depende de eventos produzidos. Não é o discurso que leva pessoas às ruas, é o artista. Não é a pauta, é o palco. A manifestação vira plateia, e a política vira espetáculo.
O Congresso é formado por parlamentares eleitos pelo voto popular. Tratar o Legislativo como “inimigo do povo” é contraditório. Se o Congresso foi escolhido nas urnas, suas decisões refletem a vontade do eleitor. Quando o resultado não agrada, a reação é tentar corrigir o voto com pressão de palco.
Muitos dos artistas à frente desses atos já receberam milhões em projetos financiados via Lei Rouanet. Não se discute crime, mas método: capital cultural financiado pelo Estado convertido em ferramenta política. Se o apoio fosse realmente popular, não precisaria de show.
E fica o teste de coerência: e se fosse Gusttavo Lima, financiado pela direita, liderando atos contra o STF ou o Congresso? Certamente não seria chamado de “ato cultural”. O critério muda conforme o artista e o lado político.
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