A corrida pela Prefeitura de Assunção ganhou contornos ainda mais favoráveis a Camilo Pérez, candidato da Lista 1 do Partido Colorado. Pesquisa realizada pela Ati Snead entre 17 e 22 de agosto, com 1.800 eleitores, aponta Pérez com 52,1% das intenções de voto, contra 35,3% de Soledad Núñez, uma diferença de 16,8 pontos percentuais. O resultado reforça uma tendência já registrada em levantamentos anteriores e coloca o candidato colorado em posição confortável a pouco mais de um mês das eleições municipais, marcadas para 4 de outubro.
A evolução dos números é especialmente incômoda para a oposição. Em julho, Pérez tinha 47%, enquanto Núñez registrava 32,1%. Agora, os dois cresceram, mas o colorado avançou 5,1 pontos, contra 3,2 da adversária. Ao mesmo tempo, o grupo dos indecisos e dos que não responderam caiu de 12,2% para 4,7%. Em outras palavras, o eleitorado está escolhendo lado, e até aqui quem está capitalizando melhor essa definição é a candidatura ligada à ANR. Pérez foi oficialmente proclamado candidato do Partido Colorado após vencer as internas de Assunção com 61,35% dos votos.
Politicamente, porém, é preciso evitar simplificações. Pérez representa o Partido Colorado, uma força histórica da direita e do conservadorismo paraguaio, embora a ANR seja internamente heterogênea e não possa ser reduzida ao rótulo de direita nos moldes europeus ou brasileiros. Núñez, por sua vez, lidera uma frente oposicionista formada por diferentes partidos e setores, incluindo o PLRA, e sua campanha aposta na união de forças para enfrentar o oficialismo. A própria candidata apresentou a coalizão como uma frente ampla, sem distinção de cores partidárias.
O dado mais desconfortável para a oposição aparece na taxa de rejeição: 18,2% dos entrevistados afirmaram que nunca votariam em Núñez, contra 15,6% de Pérez. Além disso, 53,4% acreditam que o colorado vencerá, ante 31,6% que apostam na adversária. Ainda faltam semanas de campanha e eleição não se ganha por pesquisa, mas, por enquanto, a realidade estatística é pouco romântica para a oposição: enquanto a esquerda e setores liberais tentam transformar uma ampla aliança em força eleitoral, o candidato colorado segue abrindo vantagem.