Seis agências dos Correios foram fechadas em Campo Grande no último ano, e os serviços passaram a ser realizados por outras unidades. A medida integra o plano de reestruturação da estatal, que tenta conter uma deterioração financeira que deixou de ser apenas problema administrativo e passou a envolver trabalhadores, consumidores e a própria capacidade de investimento da empresa. No primeiro trimestre de 2026, os Correios registraram prejuízo de R$ 3,16 bilhões, depois de acumularem R$ 8,5 bilhões em perdas em 2025.
A resposta do poder público e da direção da empresa tem sido reduzir estrutura, vender imóveis, fechar unidades consideradas deficitárias e estimular a adesão a programas de demissão voluntária. O plano nacional prevê o fechamento de cerca de mil agências e uma redução expressiva do quadro de pessoal. O primeiro PDV de 2026 atraiu 3.181 empregados, número inferior à meta de 10 mil desligamentos. Um novo programa foi aberto em agosto, com incentivos financeiros que variam conforme o perfil de cada trabalhador.
Em Campo Grande, os Correios também ampliam os Pontos de Coleta em estabelecimentos comerciais, modelo que pode facilitar a retirada de encomendas, mas também revela a mudança de estratégia da estatal: menos estrutura própria e maior utilização de parceiros privados. Em Mato Grosso do Sul, são 190 pontos de atendimento, dos quais 19 são Pontos de Coleta, segundo os dados divulgados nesta segunda-feira. O problema é que fechar portas e transferir serviços pode reduzir despesas no curto prazo, mas não resolve sozinho uma crise financeira dessa dimensão. Para uma empresa pública que presta serviço de alcance nacional, o desafio é explicar como décadas de estrutura, pessoal e patrimônio chegaram a esse ponto e quais medidas efetivamente impedirão que o contribuinte continue pagando a conta. Até o momento, não há informação pública de que os funcionários das seis unidades de Campo Grande tenham sido automaticamente demitidos; o que está confirmado é a transferência dos serviços, enquanto a política nacional prevê PDVs e redução do quadro.