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Quinta-feira, 20 de Agosto 2026
Economia

Bancos se protegem enquanto famílias e empresas enfrentam o custo do crédito caro

Provisões bilionárias expõem os efeitos de juros elevados, endividamento crescente e uma economia cada vez mais dependente de crédito

Redação
Por Redação
Bancos se protegem enquanto famílias e empresas enfrentam o custo do crédito caro
Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Os maiores bancos do Brasil estão se preparando para um ambiente mais difícil. Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil reservaram juntos R$ 44,8 bilhões para possíveis perdas com crédito no primeiro trimestre de 2026, alta de 33% em relação ao mesmo período de 2025. O número não significa, por si só, que haverá uma onda de calotes, mas revela que as instituições estão enxergando riscos maiores e preferindo reforçar suas defesas antes que o problema se agrave.

A situação merece atenção porque ocorre enquanto famílias e empresas convivem com um crédito extremamente caro. A Selic está em 15% ao ano, enquanto a inadimplência do consumidor chegou a 5,6% em maio e permaneceu nesse nível em junho. O endividamento das famílias alcançou 49,9% em fevereiro, igualando o recorde da série histórica iniciada em 2005. Quando o custo do dinheiro sobe demais, quem já está endividado encontra cada vez menos espaço para reorganizar as contas.

Os bancos, naturalmente, têm motivos para proteger seus balanços. Uma instituição financeira que empresta sem avaliar corretamente o risco pode comprometer seu próprio capital e, em última consequência, a estabilidade do sistema. O problema é que o remédio pode produzir outro efeito: diante do aumento da inadimplência, os bancos tendem a restringir crédito, elevar exigências e cobrar mais caro justamente de quem precisa de financiamento para atravessar um período difícil.

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Os resultados do segundo trimestre mostram que o problema não está restrito a um segmento. O Santander registrou R$ 7,65 bilhões em provisões, alta de 11,5% em 12 meses. No Banco do Brasil, as perdas avançaram do agronegócio para carteiras de pessoas físicas e pequenas e médias empresas. O Itaú aparece em posição relativamente mais confortável, com o menor índice de inadimplência entre os grandes bancos.

Há, portanto, um círculo que precisa ser interrompido: juros elevados encarecem o crédito, crédito caro pressiona famílias e empresas, a inadimplência aumenta e os bancos passam a emprestar com mais cautela. O resultado pode ser menos consumo, menos investimento e menor dinamismo econômico. Para uma economia que precisa de capital privado para crescer, esse cenário é preocupante.

Uma política econômica responsável precisa olhar para esse conjunto de sinais, e não apenas comemorar números isolados. Bancos sólidos são indispensáveis, mas uma economia saudável também depende de crédito acessível, inflação controlada, segurança jurídica e condições para que empresas invistam. Se o sistema financeiro está aumentando suas reservas para o pior cenário, é um alerta que não deveria ser ignorado. O custo de uma política econômica que mantém o dinheiro caro por tempo demais pode aparecer não apenas nos balanços dos bancos, mas no bolso de milhões de brasileiros.

FONTE/CRÉDITOS: Conexão Política
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