O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa. A decisão representa uma nova escalada na disputa envolvendo o Supremo, a PF e as investigações relacionadas ao Banco Master.
A medida ocorre após semanas de tensão institucional. Mendonça é relator de investigações que envolvem mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro e que mencionam autoridades como Alexandre de Moraes, Andrei Rodrigues e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O ministro também determinou a retirada do sigilo de parte do material, ampliando a pressão pública sobre a atuação de diferentes instituições.
O episódio também ganha peso diplomático diante do histórico recente entre Brasil e Estados Unidos. O governo Donald Trump já adotou medidas contra integrantes do STF em meio às críticas à atuação da Corte e, neste momento, Brasília e Washington tentam manter abertas negociações comerciais. O próprio governo brasileiro avalia que a crise entre ministros do Supremo não deveria contaminar as tratativas com os norte-americanos.
Até o momento, contudo, não há confirmação pública, em fontes confiáveis consultadas, de que a Casa Branca tenha recebido oficialmente um comunicado específico sobre o afastamento de Andrei Rodrigues. O que está documentado é que a crise institucional brasileira passou a ser acompanhada com atenção no exterior, especialmente diante do histórico de atritos entre o governo Trump e autoridades do STF.
A decisão de Mendonça, portanto, ultrapassa a disputa administrativa dentro da Polícia Federal. O afastamento de integrantes da cúpula da corporação coloca em evidência o choque entre instituições e aumenta a cobrança por transparência, limites de atuação e respeito às competências de cada Poder.