A liderança de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial brasileira ganhou destaque na imprensa internacional e passou a ser tratada como um dos principais acontecimentos políticos da América Latina. Com cerca de 47% dos votos válidos, contra aproximadamente 45% de Lula (PT), o candidato do PL superou expectativas apontadas antes da votação e levou a disputa para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Veículos como The Guardian, BBC, The Washington Post, El País, Clarín e La Repubblica destacaram a vantagem de Flávio e a força demonstrada pela direita nas urnas.
A repercussão não se restringiu à corrida presidencial. A imprensa estrangeira também chamou atenção para o desempenho do campo bolsonarista nas eleições legislativas e estaduais. A Reuters destacou que o PL ampliou sua representação no Senado de 15 para 28 cadeiras e projeta 121 deputados federais para a legenda, além do fortalecimento de partidos aliados de direita e centro-direita. O resultado criou um cenário no qual uma eventual Presidência de Flávio teria uma base parlamentar significativamente mais ampla.
Outro aspecto observado foi o avanço de Flávio fora dos tradicionais redutos eleitorais do bolsonarismo. No Nordeste, Lula continuou liderando, mas sua participação caiu de 66,7% dos votos válidos no primeiro turno de 2022 para cerca de 63,7% agora, enquanto Flávio chegou a 30,85%, acima dos 27% obtidos por Jair Bolsonaro na região em 2022. Levantamentos também apontam crescimento expressivo do candidato do PL no Sul e no Sudeste, regiões que foram decisivas para sua vantagem nacional.
A reação de lideranças internacionais reforçou a dimensão política do resultado. Javier Milei, da Argentina, parabenizou Flávio e afirmou que a liberdade avança no Brasil. Benjamin Netanyahu manifestou expectativa de reconstruir a relação de amizade entre Israel e Brasil, enquanto Matteo Salvini, da Itália, também cumprimentou o candidato brasileiro. María Corina Machado, líder da oposição venezuelana, classificou Flávio como vencedor do primeiro turno e afirmou que o Brasil tem peso decisivo no futuro da região.
A imprensa internacional, entretanto, não trata a eleição como uma disputa definida. O Clarín classificou o resultado como uma reviravolta diante das pesquisas anteriores, mas ressaltou que a incerteza permanece. A AP também aponta que a margem estreita entre os dois candidatos coloca no centro da segunda etapa a disputa pelos votos dos candidatos eliminados, pelos eleitores indecisos e pela parcela que não compareceu às urnas.
Para o campo conservador, o primeiro turno representa uma demonstração relevante de força eleitoral: além de terminar à frente na disputa presidencial, a direita ampliou sua presença no Congresso e conquistou importantes espaços nos governos estaduais. A segunda etapa, porém, começa com uma nova disputa política, na qual Flávio e Lula precisarão ampliar suas alianças e conquistar os votos que ficaram fora da polarização direta entre os dois. A repercussão internacional mostra que o resultado brasileiro já ultrapassou as fronteiras nacionais e passou a ser observado como um possível marco na disputa política da América Latina.