Nos últimos dias, publicações da imprensa sul-matogrossense voltaram os holofotes para o perfil do Padre Alisson Muryel, pároco em Campo Grande. O motivo das manchetes foi a firmeza das declarações do sacerdote ao responder a questionamentos em suas redes sociais sobre política e fé. Para os veículos de comunicação convencionais, a postura do religioso foi recebida como um ato de controvérsia ou interferência política. No entanto, para a comunidade católica que busca viver sua fé de maneira integral, a atuação do padre nada mais é do que o exercício transparente do seu dever pastoral.
Ao declarar que "católico não vota em comunista" e alertar para as contradições entre a fé cristã e filosofias totalitárias, o sacerdote não expressou uma opinião partidária pessoal. Ele resgatou um ensinamento contínuo do Magistério da Igreja. A condenação a sistemas que negam a Deus, atacam a família tradicional e reduzem o ser humano a um mero joguete do Estado está registrada no Catecismo da Igreja Católica e em diversos documentos pontifícios ao longo dos séculos, de Leão XIII a São João Paulo II.
Instrução Pastoral Versus Militância Partidária
O ruído gerado em torno do caso reflete a dificuldade de parte da mídia em compreender o papel da Igreja na formação das consciências. Instruir o rebanho sobre quais valores e ideologias ferem a moral cristã não é militância eleitoral; é responsabilidade sacerdotal. Ao orientar os fiéis a buscarem o discernimento ético na política, o sacerdote cumpre o papel de iluminar mentes em tempos de relativismo moral.
Vale destacar que a independência manifestada pelo religioso não se restringe a uma crítica à esquerda. Em suas próprias declarações, o sacerdote lembrou os perigos do liberalismo irrestrito e do capitalismo desumanizado, reforçando que a bússola do cristão não é um espectro político ou um candidato específico, mas os ensinamentos de Cristo e da Verdade revelada.
Coragem e Fidelidade no Cenário Atual
Manter-se fiel à Doutrina Social da Igreja diante da pressão pública exige coragem. Em um ambiente cultural que tenta confinar a fé às quatro paredes do templo, a postura de orientar abertamente os fiéis sobre a aplicação prática do Evangelho em todas as esferas da vida — inclusive na política — demonstra um compromisso claro com a verdade.
A missão de um sacerdote é conduzir almas, e não buscar aplausos do ecossistema político ou mediático. O posicionamento do Padre Alisson evidencia que o catolicismo não é um cabo de guerra ideológico, mas um compromisso permanente com a fé, com a dignidade da pessoa humana e com a verdade que permanece inalterada, independentemente das conveniências do momento.