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Sexta-feira, 11 de Setembro 2026
Política

ONG com ligação a ministro de Lula vence disputa de R$ 1,95 bilhão para gerir Hospital Inteligente do SUS

Entidade criada em 2026 tem entre seus dirigentes ex-advogado de Alexandre Padilha; presidente do instituto recusou convite para comandar a Saúde no governo Bolsonaro e depois integrou a transição de Lula

Redação
Por Redação
ONG com ligação a ministro de Lula vence disputa de R$ 1,95 bilhão para gerir Hospital Inteligente do SUS
Ex-advogado de Padilha dirige ONG que ganhou contrato bilionário na Saúde - Imagem: Ricardo Stuckert
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O Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente do Brasil (ITMI), criado em março de 2026, foi declarado vencedor do chamamento público do Ministério da Saúde para participar da gestão do futuro Instituto Tecnológico de Emergência (ITE), projeto conhecido como Hospital Inteligente do SUS. O resultado foi publicado no Diário Oficial da União em 3 de setembro. O edital prevê um contrato de gestão de dez anos, prorrogável, com desembolso estimado em R$ 1,95 bilhão nos primeiros quatro anos. O projeto será instalado no complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo.

A escolha chama atenção não apenas pelo volume de recursos públicos envolvidos, mas também pelas relações profissionais e institucionais de integrantes da entidade vencedora. Entre os dirigentes do ITMI está o advogado Antonio Pedro Lovato, que já trabalhou ao lado de Alexandre Padilha, atual ministro da Saúde do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Lovato atuou na Autarquia Hospitalar Municipal de São Paulo e posteriormente representou Padilha como advogado em processos no Tribunal de Contas do Município. A proximidade profissional entre um dirigente da organização vencedora e o atual responsável pela pasta que conduz a seleção é um dos pontos que colocam a escolha sob escrutínio público.

A presidente do ITMI é a cardiologista Ludhmila Abrahão Hajjar, professora da Faculdade de Medicina da USP e uma das idealizadoras do projeto. A trajetória da médica também atravessa diferentes governos. Em 2021, durante a gestão de Jair Bolsonaro, Hajjar foi convidada para assumir o Ministério da Saúde, mas recusou o cargo. À época, afirmou que havia divergências técnicas em relação à condução da pandemia. No ano seguinte, a médica passou a integrar a equipe de transição do governo Lula, na área da Saúde. A participação na transição petista não significa, por si só, filiação ou alinhamento partidário, mas ajuda a contextualizar a presença de nomes com trânsito político e institucional na estrutura responsável pelo novo projeto do SUS.

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Além de Lovato e Hajjar, integram a direção do instituto nomes ligados à Faculdade de Medicina da USP, entre eles Carlos Gilberto Carlotti Júnior e Giovanni Guido Cerri. O ITMI deverá trabalhar com tecnologias como inteligência artificial, interoperabilidade de dados e telessaúde. A iniciativa já começou a ser implementada por meio de uma central de monitoramento de UTIs conectada a hospitais de diferentes capitais. Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, a estrutura acompanha atualmente 60 leitos e a previsão é ampliar a integração gradualmente para centenas de leitos.

No processo de seleção, o ITMI recebeu 63,41 pontos, ficando à frente da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), que obteve 57,34 pontos. O Ministério da Saúde afirma que a escolha ocorreu por meio de chamamento público, com critérios objetivos e avaliação realizada por uma comissão que contou com representantes de outros órgãos federais. A pasta também sustenta que o procedimento seguiu as regras previstas no edital.

A existência de vínculos profissionais ou políticos, entretanto, não constitui, por si só, prova de favorecimento ou irregularidade. A questão central é a transparência de um contrato bilionário que será executado por uma organização criada poucos meses antes de vencer a seleção. Diante do montante envolvido e da relação de integrantes do ITMI com figuras que ocupam ou ocuparam posições estratégicas no poder público, a fiscalização dos critérios de escolha, da execução do contrato e da aplicação dos recursos será fundamental para garantir que o projeto seja avaliado pelo resultado entregue ao SUS, e não pela proximidade de seus dirigentes com diferentes grupos de poder.

FONTE/CRÉDITOS: Quadro Geral
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