O governo federal decidiu dobrar a alíquota do IOF para operações financeiras realizadas por pessoas jurídicas. A medida atinge em cheio microempreendedores individuais (MEIs) e empresas do Simples Nacional — justamente os que mais precisam de apoio para sobreviver num cenário de crédito caro e economia fraca.
A mudança, publicada por decreto, impõe o dobro de imposto sobre transações como empréstimos e financiamentos feitos por pequenos empresários. A analista de economia da CNN, Thais Herédia, foi direta: a conta vai pesar para quem tem menos estrutura e enfrenta mais dificuldade para acessar crédito.
Justiça tributária só no discurso
Enquanto promete justiça fiscal, o governo faz o oposto. Em vez de taxar grandes fortunas ou rever privilégios tributários de grandes empresas, optou por aumentar a carga sobre os pequenos negócios — que representam a maior parte dos empregos formais no país.
É mais uma contradição entre discurso e prática. O governo fala em estimular o empreendedorismo, mas penaliza justamente os que mais geram renda e movimentam a economia real.
Mais dificuldade e risco de informalidade
Com a nova tarifa, operações financeiras básicas para o funcionamento de pequenos negócios ficam mais caras. Isso pode afastar MEIs e microempresas do sistema bancário e empurrá-los de volta à informalidade.
A medida também reduz o fôlego de quem está tentando manter portas abertas em meio à alta dos juros, à inflação e à burocracia. E deixa claro que, quando o assunto é aumentar arrecadação, o peso recai novamente sobre os mais frágeis.
Escolha política clara
O aumento do IOF para os pequenos não é técnico. É uma decisão política. Em vez de cobrar mais de quem pode, o governo optou pelo caminho mais fácil: tributar os pequenos para fechar contas. E isso tem custo — na economia, no emprego e na credibilidade do discurso oficial.
Comentários: