O Banco Central lançou o novo MED 2.0, uma versão ampliada do Mecanismo Especial de Devolução, que promete reforçar o combate a golpes e fraudes, mas também amplia o alcance do rastreamento financeiro feito por bancos e pelo próprio BC.
Com a mudança, as instituições passam a seguir o caminho do dinheiro mesmo quando ele é pulverizado em várias contas em sequência, prática comum em golpes. Esse rastreamento “em cadeia” permite bloquear valores antes que sejam sacados ou dissipados, aumentando a recuperação de recursos — e também a vigilância sobre as transações do cidadão comum.
O prazo máximo para análise de pedidos de devolução foi reduzido para até 11 dias, e toda a solicitação pode ser feita diretamente no aplicativo da instituição financeira, sem contato telefônico. A medida agiliza o atendimento, mas também concentra decisões sensíveis nas mãos dos bancos e do Banco Central.
Segundo o BC, o mecanismo já ajudou a recuperar mais de R$ 1,5 bilhão desviados por quadrilhas nos últimos cinco anos, argumento usado para justificar o avanço do sistema. A novidade, porém, reacendeu discussões sobre privacidade, monitoramento e o limite do controle estatal sobre transações digitais.
Entre os críticos, o deputado Nikolas Ferreira voltou a afirmar que já alertava há meses para falhas no modelo anterior e para o risco de aumento gradual do poder de vigilância. Nas redes sociais, ele reagiu afirmando que “finalmente o Banco Central reconheceu o que eu vinha avisando”. Para o parlamentar, o MED 2.0 confirma a necessidade de revisão do sistema, mas serve também como alerta para que o brasileiro fique atento a até onde o Estado pode ir ao bisbilhotar o próprio dinheiro.
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