Pela primeira vez em anos, as críticas a abusos de poder do Supremo Tribunal Federal (STF) rompem a bolha ideológica e ecoam não apenas no espectro da direita, mas também em setores da esquerda, do mercado financeiro e da grande imprensa. A mudança se intensificou com o caso do Banco Master, trazendo à tona questionamentos sobre a atuação de ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
De acordo do a Gazeta do Povo, o caso Master tornou públicas suspeitas de que os superpoderes do STF não estariam sendo usados apenas para conter a direita, mas também para favorecer interesses pessoais de seus ministros. Toffoli levou o caso ao tribunal e determinou sigilo máximo, dias após viajar ao Peru em jato privado com advogado de um investigado. A polêmica aumentou com a revelação do contrato de R$ 129 milhões entre o banco e a esposa de Moraes e com a decisão de Toffoli de retirar da Polícia Federal a guarda das provas.
A reação às supostas arbitrariedades do tribunal chegou a parlamentares de esquerda, entidades do sistema financeiro e veículos da imprensa. Deputadas da extrema-esquerda, como Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Heloísa Helena (Rede-RJ), assinaram pedidos de investigação, em convergência inédita com parlamentares de direita, como Carlos Jordy (PL-RJ) e Eduardo Girão (Novo-CE).
No mercado financeiro, quatro entidades – Febraban, ABBC, Acrefi e Zetta – divulgaram nota criticando a "ingerência de terceiros" no processo de liquidação e investigação do banco. Tradicionalmente próximas de ministros do Supremo, as organizações demonstraram preocupação com interferências externas que poderiam comprometer a condução dos processos.
A grande imprensa também intensificou críticas. A Folha de S.Paulo classificou casos de Moraes e Toffoli como "pacto de autoproteção entre poderosos", enquanto o Estadão destacou que o caso Master não é competência do STF. Colunistas de veículos historicamente favoráveis aos ministros, como Míriam Leitão e Eliane Cantanhêde, também se manifestaram com desaprovação diante das controvérsias.
O fenômeno indica uma mudança de percepção: a defesa automática do STF, predominante desde 2019 sob a justificativa de proteção da democracia, começa a ser questionada de forma mais ampla, incluindo setores da esquerda e do mercado financeiro, tradicionalmente cautelosos em confrontos com o tribunal.
Para alguns parlamentares, a gravidade do caso Master evidencia um possível esquema de influência que atinge as estruturas estatais, políticas e financeiras do país. Em suas redes, o senador Fabiano Contarato (PT-ES) afirmou que as investigações revelam “indícios cada vez mais contundentes de um esquema complexo”, reforçando o sentimento de que a atuação do STF no episódio precisa ser escrutinada.
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