Uma disputa pelo controle do Conselho Estadual de Pastores de Mato Grosso do Sul (CONSEPAMS) tem provocado forte reação entre lideranças evangélicas do estado e levantado denúncias de aparelhamento político, uso da estrutura religiosa para fins eleitorais e até suposta atuação irregular de servidor público ligado ao governo estadual.
No centro da crise está o Bispo Roger, apontado por opositores como articulador político junto a lideranças evangélicas no interior de Mato Grosso do Sul.
A principal acusação é de que a estrutura do CONSEPAMS estaria sendo utilizada como instrumento político-eleitoral, especialmente diante da importância da Marcha para Jesus, evento que reúne milhares de fiéis em diversas cidades do estado ao longo do ano.
Tentativa de mudança no comando do conselho
A crise ganhou força após uma assembleia realizada no dia 11 de abril de 2026, na sede da União das Câmaras de Vereadores de Mato Grosso do Sul (UCVMS), que tentou substituir a atual diretoria do CONSEPAMS.
A gestão atualmente é liderada pelo pastor Wilton Acosta, que, segundo apoiadores, possui mandato válido até o fim deste ano.
Dois dias após a assembleia, conselhos municipais de pastores divulgaram uma “Nota Pública de Repúdio e Não Reconhecimento”, classificando o ato como irregular e alegando “nulidade absoluta” do processo.
No documento, as lideranças apontam uma série de problemas procedimentais, incluindo:
- supostos vícios na convocação;
- falta de publicidade e transparência;
- ausência de comprovação de quórum;
- dúvidas sobre a legitimidade dos participantes;
- inexistência de vacância da atual diretoria;
- descumprimento de regras estatutárias.
Segundo os signatários, não houve comprovação inequívoca da representação legal dos participantes da assembleia, comprometendo a validade jurídica do ato.
Os conselhos afirmaram ainda que poderão adotar medidas administrativas e judiciais para preservar a legalidade e a integridade institucional do CONSEPAMS.
Marcha para Jesus vira centro da disputa
Nos bastidores, lideranças evangélicas avaliam que o principal interesse por trás da disputa envolve o controle político e organizacional da Marcha para Jesus em Mato Grosso do Sul.
O evento religioso, que mobiliza milhares de pessoas em diferentes municípios, é considerado uma das maiores vitrines de influência dentro do segmento evangélico no estado.
Críticos da articulação afirmam que o objetivo seria transformar a estrutura do evento em plataforma de fortalecimento político e ampliação de influência dentro do meio evangélico.
Caso já está na Justiça
A disputa acabou sendo judicializada e hoje existem duas diretorias em confronto: uma ligada ao Bispo Roger e outra comandada por Wilton Acosta.
O impasse deverá ser analisado pelo Poder Judiciário, que poderá decidir sobre a validade da assembleia, da mudança de diretoria e dos atos praticados pelas partes envolvidas.
A crise no CONSEPAMS expõe um embate que ultrapassa a esfera religiosa e alcança diretamente o cenário político sul-mato-grossense, reacendendo discussões sobre o uso de instituições religiosas e eventos de fé como instrumentos de articulação política.
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