A escola de samba Acadêmicos de Niterói entrou no centro de uma polêmica após receber R$ 7,15 milhões em recursos públicos para o Carnaval. Do total, R$ 1 milhão é oriundo do governo federal, R$ 4 milhões da Prefeitura de Niterói e R$ 2,15 milhões da Prefeitura do Rio de Janeiro.
Com o financiamento, a agremiação prepara um desfile que tem como enredo a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A controvérsia ganhou força após a circulação de imagens de ensaios nas redes sociais, que mostram uma alegoria com telão exibindo provocações ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Para críticos, o conteúdo caracteriza uso político da festa, com ataques a um adversário e exaltação do atual chefe do Executivo.
A discussão ultrapassou o ambiente virtual e chegou à Justiça. O deputado federal Kim Kataguiri ingressou com uma ação popular pedindo a suspensão do repasse federal. Segundo ele, em ano eleitoral, a combinação de verba pública com homenagem a um presidente em exercício pode configurar promoção política disfarçada de incentivo cultural.
Já os organizadores e entes públicos envolvidos sustentam que os recursos têm finalidade cultural e turística. Mesmo assim, o caso reacende o debate sobre os limites entre liberdade artística e possível instrumentalização política do Carnaval da Sapucaí, especialmente quando o espetáculo é interpretado como tributo a Lula e, ao mesmo tempo, palco de críticas a Bolsonaro.
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