O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem demonstrado preocupação com o crescimento da direita nas eleições de 2026 e já articula, nos bastidores, uma estratégia para tentar impedir que o Senado Federal fique sob o controle de forças conservadoras.
Segundo informações da jornalista Bela Megale, de O Globo, Lula tem confidenciado a aliados que, se necessário, "troca um governador por um senador". A frase escancara a prioridade do petista: manter o controle político no Congresso, mesmo que isso custe alianças estaduais ou comprometa disputas locais.
O temor do presidente é o fortalecimento do grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto. Com a possibilidade de eleger uma maioria conservadora no Senado, o campo bolsonarista pode conquistar força para conter abusos do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente do ministro Alexandre de Moraes — figura central em ações criticadas por setores da direita como perseguição política.
Para tentar frear esse avanço, Lula já mobiliza nomes de dentro do próprio governo. Há relatos de que ministros estão sendo pressionados a abandonar suas pastas para concorrer ao Senado, em uma clara tentativa de usar a máquina pública para manter o domínio da esquerda sobre o Legislativo.
A eleição de 2026 será decisiva: dois terços das cadeiras do Senado — 54 das 81 — estarão em disputa. A direita já se movimenta e conta com nomes de peso para as disputas estaduais, como Evair de Melo (ES), Gustavo Gayer (GO), Nikolas Ferreira (MG) e o pastor Marco Feliciano (SP), todos com forte apoio popular e ligação direta com o ex-presidente Bolsonaro.
Enquanto isso, Lula tenta costurar acordos e impedir o que enxerga como uma derrota política com consequências profundas. Para ele, perder o Senado pode significar o fim do apoio parlamentar necessário para sustentar decisões impopulares e barrar investigações incômodas.
O Brasil se aproxima de mais uma encruzilhada política, e Lula parece disposto a tudo para impedir que a vontade da maioria dos brasileiros se reflita nas urnas. A pergunta que fica: até onde o petista está disposto a ir para não perder o controle?
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