A prisão do ex-presidente da República Fernando Collor de Mello, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na madrugada desta sexta-feira (25), provocou forte repercussão nas redes sociais. Condenado por crimes apurados na Operação Lava Jato, Collor teve sua prisão decretada após o esgotamento dos recursos disponíveis.
A decisão gerou indignação entre políticos, juristas e analistas, que passaram a questionar a atuação do STF em casos semelhantes. O principal ponto levantado foi a disparidade de tratamento entre Collor e outros acusados na Lava Jato, cujas condenações foram anuladas pelo Supremo nos últimos anos, beneficiando, entre outros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aliados do Partido dos Trabalhadores (PT).
O senador Sergio Moro (União-PR), ex-juiz da Lava Jato, criticou duramente a decisão. Em publicação na rede social X (antigo Twitter), Moro questionou:
"Por que os demais ladrões da Petrobras foram liberados por alguns ministros do Supremo Tribunal Federal e não estão mais presos? E quem, durante os governos do PT, entregou a BR Distribuidora para o controle do Collor?".
Na mesma linha, Deltan Dallagnol, ex-procurador da República e coordenador da força-tarefa da Lava Jato, ironizou a atuação do STF:
"Depois da democracia relativa, vem aí a Lava Jato relativa: a operação anticorrupção que só presta quando o Supremo quer. Aos amigos, anulações, suspensões e devolução de dinheiro roubado. Aos inimigos, prisão e condenação."
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também se manifestou, cobrando coerência:
"Eu lembro de outros que foram condenados na Lava Jato. Moraes vai mandar prender também? Só perguntando."
Carlos Jordy (PL-RJ), líder da oposição na Câmara, destacou a aparente seletividade nas decisões do Supremo, afirmando:
"Vivi para ver o STF matar a Lava Jato para livrar a cara de todos petistas e agora ressuscitar para prender Collor, que apoiou Bolsonaro em 2022."
O deputado também relembrou decisões recentes do STF que anularam provas e condenações da Lava Jato, citando casos envolvendo nomes como Lula, Antonio Palocci e Luiz Fernando Pezão.
O jurista Fabricio Rebelo acrescentou que a prisão evidencia a instabilidade dos critérios aplicados:
"Minha simpatia por Collor é inferior a zero, mas não deixa de ser intrigante ver como a 'Lava Jato' vale ou não vale a depender de quem sejam os réus."
Leandro Ruschel, analista político, reforçou o questionamento:
"Por que a Lava Jato vale para prender Collor, mas não vale para manter Lula e outros condenados presos?"
A prisão de Fernando Collor reacendeu o debate sobre a atuação do STF na condução dos processos da Lava Jato e sobre a segurança jurídica das decisões no país, alimentando críticas quanto à seletividade e parcialidade do sistema de Justiça brasileiro.
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