O Brasil voltou a aparecer mal no ranking de percepção de corrupção da Transparência Internacional: 107º lugar entre 182 países, pelo segundo ano seguido. O índice mede a visão de especialistas sobre a integridade do setor público — não condenações judiciais —, mas ainda assim influencia a confiança internacional e a reputação do país.
O relatório aponta exemplos concretos que ajudam a explicar a avaliação negativa. Entre eles estão suspeitas de fraudes em licitações e lavagem de dinheiro ligadas ao desvio de recursos de emendas parlamentares, além do esquema bilionário de irregularidades em benefícios do INSS citado no documento. O estudo também menciona a Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que investiga um sistema estruturado de sonegação, evasão de divisas e lavagem de dinheiro envolvendo fintechs, fundos de investimento e o setor de combustíveis.
Outro ponto destacado é o chamado caso Master, descrito no relatório como a maior fraude bancária da história brasileira. Segundo o estudo, o episódio levantou suspeitas sobre autoridades de alto escalão, agravadas por um contrato de R$ 129 milhões do banco com a esposa de um ministro do Supremo Tribunal Federal e pela condução considerada “heterodoxa e opaca” de investigações judiciais mencionadas no documento. As citações refletem análises do relatório e não decisões judiciais definitivas.
O governo federal questionou a metodologia do índice. O ministro-chefe da Controladoria-Geral da União afirmou que operações de combate à corrupção — como dezenas de ações realizadas com a Polícia Federal e bilhões em prejuízos apurados — não são consideradas na nota. Ainda assim, especialistas ressaltam que a percepção internacional é impactada quando investigações são anuladas, processos se prolongam e decisões judiciais geram forte polarização pública.
Por outro lado, o relatório reconhece avanços institucionais, como a mobilização da sociedade contra propostas que poderiam dificultar investigações, ações recentes de fiscalização ambiental e responsabilizações inéditas em casos que atentaram contra a ordem democrática. Esses pontos mostram que há esforços em andamento, embora ainda insuficientes para reverter a imagem negativa.
O ponto central é simples: percepção se combate com transparência, previsibilidade e instituições fortes. Enquanto o país oscilar entre grandes escândalos, disputas políticas e controvérsias judiciais, continuará sendo visto internacionalmente como um sistema vulnerável no enfrentamento da corrupção — independentemente de quem esteja no poder.
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