Parlamentares de PT, PCdoB, PSOL e Rede ampliaram a pressão política sobre o ministro André Mendonça ao pedir à Procuradoria-Geral da República (PGR) que avalie sua possível suspeição e eventual afastamento da relatoria das investigações envolvendo o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). A iniciativa reúne 17 deputados e também foi encaminhada ao presidente da Corte, Edson Fachin. O movimento ocorre em meio às disputas políticas em torno da condução das diferentes frentes do caso.
Um dos principais argumentos apresentados pelos parlamentares é a suposta adoção de critérios diferentes para determinar quais informações devem permanecer sob sigilo. O grupo cita a divulgação de mensagens envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) e conteúdos atribuídos a Daniel Vorcaro, enquanto questiona a manutenção de restrições sobre investigações relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, que recebeu recursos do empresário. Para os deputados, a diferença de tratamento justificaria uma análise sobre a atuação do relator.
A ofensiva também levanta questionamentos sobre um encontro entre Mendonça e Vorcaro realizado em março de 2025. O ministro confirmou que recebeu o então controlador do Banco Master em uma ocasião e declarou que a conversa tratou exclusivamente de uma ação relacionada a precatórios de interesse da instituição financeira. Até o momento, não há, na informação apresentada, indicação de que o encontro tenha resultado em irregularidade atribuída ao ministro.
O episódio, contudo, passou a integrar o debate político sobre a imparcialidade da condução do caso. A cobrança feita pelos parlamentares coloca em evidência uma questão que ultrapassa a disputa entre grupos políticos: a necessidade de que decisões sobre sigilo, divulgação de informações e tratamento das partes investigadas sigam critérios objetivos e uniformes. A credibilidade das instituições depende, sobretudo, da percepção de que as mesmas regras são aplicadas independentemente de quem esteja envolvido.
A própria PGR deverá avaliar agora os argumentos apresentados no pedido de suspeição. Há, porém, um elemento que merece atenção: anteriormente, a Procuradoria havia defendido que questões relacionadas ao financiamento de Dark Horse fossem analisadas por Mendonça justamente pela conexão existente com a investigação do Banco Master. Esse posicionamento anterior deverá ser considerado no exame da nova solicitação.
Enquanto a disputa política avança, o caso reforça a importância de transparência e coerência na atuação das instituições. Questionamentos sobre sigilo e eventual impedimento de um relator devem ser examinados com base em fatos e critérios jurídicos, e não apenas conforme os interesses políticos de quem apresenta a reclamação. A PGR terá agora a responsabilidade de avaliar se existem elementos concretos que justifiquem a substituição de Mendonça ou se os pedidos apresentados fazem parte da crescente disputa política em torno do caso.