Flávio Bolsonaro (PL) encerrou sua participação no Jornal Nacional, na noite de sexta-feira (28), com uma atuação marcada por firmeza, tranquilidade e controle diante de uma sabatina que começou sob forte pressão. Logo na abertura, o candidato se solidarizou com Renata Vasconcellos e classificou como descortês a postura adotada por Lula na entrevista anterior. Depois do momento inicial de tensão, Flávio passou a responder de maneira mais segura, mantendo o olhar direcionado às câmeras e procurando estabelecer comunicação direta com o eleitor.
Ao contrário de uma postura exclusivamente defensiva, o candidato aproveitou os questionamentos para apresentar posições próprias. Mesmo quando pressionado sobre Jair Bolsonaro, os atos de 8 de Janeiro e o sistema eleitoral, procurou conduzir a conversa para sua visão de governo. Defendeu a anistia aos envolvidos nos atos de 2023, afirmou que respeitará o resultado das eleições e reconheceu ter cometido um erro ao atribuir anteriormente à Venezuela a fabricação das urnas eletrônicas brasileiras.
O Banco Master foi, porém, o ponto de maior pressão da entrevista. As perguntas sobre sua relação com Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, ocuparam espaço considerável da conversa. Flávio sustentou que se tratou de uma relação privada para captação de recursos e negou a existência de contrapartida ou irregularidade. Quando questionado sobre a proximidade com Vorcaro, apresentou uma comparação que colocou os próprios entrevistadores diante de outro aspecto do debate: citou que empresas ligadas ao Banco Master investiram R$ 160 milhões em um programa de Luciano Huck, exibido pela Globo, e questionou por que relações privadas com o mesmo banqueiro deveriam receber interpretações diferentes dependendo de quem está do outro lado.
A estratégia foi politicamente eficiente porque tirou o candidato, ainda que momentaneamente, da posição de único alvo da discussão. Flávio também defendeu o aprofundamento das investigações sobre o Banco Master, argumentando que o caso precisa ser esclarecido. Ao mesmo tempo, não conseguiu encerrar completamente o assunto, que voltou repetidamente às perguntas e foi um dos momentos em que sua defesa apresentou maior dificuldade para avançar. Ainda assim, a insistência acabou oferecendo ao candidato espaço para questionar critérios que, em sua avaliação, deveriam ser aplicados de maneira uniforme a relações comerciais entre instituições financeiras, empresas de comunicação e agentes políticos.
Em outros temas, Flávio conseguiu apresentar uma agenda mais ampla. Defendeu a redução do número de ministérios e de cargos comissionados, combate a fraudes, controle de gastos, redução de impostos e medidas voltadas à economia. Também falou sobre Pix, tarifas, meio ambiente e juros, procurando demonstrar que sua candidatura não pretende se limitar à defesa do legado do pai. A proposta apresentada foi a de um Estado menor, com menos estruturas políticas e maior controle sobre os gastos públicos.
Outro aspecto relevante foi a forma como lidou com Lula. Embora tenha feito críticas ao presidente, Flávio evitou transformar toda a entrevista em uma sucessão de ataques ao adversário. O nome de Lula apareceu principalmente como contraponto em assuntos específicos, enquanto o candidato buscava apresentar suas próprias posições. Essa escolha ajudou a afastar a imagem de uma candidatura dependente exclusivamente da polarização com o atual presidente.
No conjunto, a sabatina mostrou um Flávio Bolsonaro mais preparado para enfrentar um ambiente adverso e menos disposto a aceitar o papel de candidato permanentemente acuado. Houve momentos vulneráveis, especialmente no caso Banco Master, mas também houve capacidade de recuperar o controle da conversa, concluir raciocínios e apresentar propostas. Para o eleitor conservador, o principal saldo foi a percepção de que Flávio conseguiu atravessar uma entrevista com perguntas difíceis sem abandonar suas convicções e ainda encontrou espaço para defender uma agenda de redução do Estado, responsabilidade fiscal, segurança e continuidade de uma política de direita.