A cobrança por transparência nas contas da Santa Casa de Campo Grande, feita pelo vereador Rafael Tavares, ganhou um novo capítulo com a decisão da Justiça de determinar uma perícia nas finanças do hospital. A medida deverá analisar documentos da instituição desde 2021, justamente em meio à disputa sobre o valor dos repasses públicos e às alegações de déficit milionário.
Tavares vinha defendendo que, antes de qualquer aumento de recursos públicos, era necessário esclarecer a situação financeira da Santa Casa. Em 2025, o vereador apresentou requerimento na Câmara Municipal solicitando informações sobre balanços financeiros, valores recebidos dos governos, folha de pagamento, custos operacionais, estoque de medicamentos e insumos, além dos serviços efetivamente prestados pelo hospital.
A cobrança evoluiu para uma tentativa de instalação de uma CPI na Câmara para investigar a situação financeira, administrativa e assistencial da instituição. O objetivo era obter respostas sobre o destino dos recursos públicos e entender as razões que levaram o hospital a acumular dificuldades financeiras, incluindo atrasos salariais e problemas no atendimento.
Agora, a Justiça determinou que peritos independentes examinem a documentação financeira da Santa Casa. A instituição afirma enfrentar déficit de aproximadamente R$ 13 milhões por mês e cobra do poder público uma recomposição de cerca de R$ 158 milhões anuais. O município, entretanto, também questiona o cumprimento das metas de atendimento e defende a análise técnica das contas.
A perícia foi determinada pelo juiz Claudio Müller Pareja, da 2ª Vara da Fazenda Pública e de Registros Públicos. Os trabalhos ficarão sob responsabilidade de Eduardo de Freitas Gomide e Marcos Starling, da GRC Visa Consultoria Empresarial, que deverão apresentar o laudo à Justiça após a conclusão da análise.
Enquanto a Santa Casa sustenta que o aumento dos custos com medicamentos, insumos e pessoal tornou insuficientes os repasses atuais, a perícia deverá colocar os números sob exame independente. Na prática, a discussão deixa de ser apenas política e passa a depender também de dados técnicos.
Para Tavares, a questão central sempre foi a mesma: antes de colocar mais dinheiro público no hospital, é preciso saber onde está o problema, como os recursos estão sendo utilizados e qual é, de fato, o tamanho do déficit. A decisão judicial agora cria um mecanismo formal para buscar essas respostas.
O atual convênio prevê repasses de R$ 32,7 milhões por mês, o equivalente a R$ 392,4 milhões por ano. Com cifras dessa dimensão e uma instituição essencial para a saúde pública de Campo Grande, a transparência das contas deixou de ser apenas uma cobrança política e passou a ser uma questão diretamente submetida ao Judiciário.