Integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estiveram presentes na posse de Nicolás Maduro, realizada nesta sexta-feira (10), em Caracas, Venezuela. O evento marca o início de mais um mandato do ditador, em uma eleição cercada de denúncias de fraude e repressão contra a oposição.
Os representantes brasileiros participaram do “Festival Mundial da Internacional Antifascista”, promovido pelo Foro de São Paulo, que reuniu lideranças de esquerda de diversos países. Embora o governo brasileiro, liderado por Lula (PT), não tenha oficialmente reconhecido a reeleição de Maduro, a embaixadora do Brasil em Caracas, Glivânia Oliveira, esteve presente na cerimônia.
Controvérsia eleitoral e repressão na Venezuela
A vitória de Maduro foi anunciada em 28 de julho pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), controlado pelo regime chavista. O órgão não apresentou atas de votação que confirmassem a legitimidade do resultado. Segundo o CNE, Maduro obteve 51% dos votos, enquanto o principal opositor, Edmundo González, teria alcançado 44%. A oposição, no entanto, contesta o resultado e afirma que González obteve 73% das atas apuradas.
Na véspera da posse, a líder opositora María Corina Machado foi detida de forma violenta por forças chavistas ao sair de um protesto contra o regime. Após horas de incerteza, ela foi libertada, mas somente após ser obrigada a gravar vídeos afirmando que estava bem. O governo negou qualquer ação repressiva.
PT e MST reiteram apoio a Maduro
Mesmo diante das denúncias, a Executiva Nacional do PT reconheceu oficialmente a vitória de Maduro e classificou o processo eleitoral como uma "jornada pacífica, democrática e soberana". O líder do MST, João Pedro Stédile, também esteve presente no evento e reiterou apoio ao ditador. O MST, que já mantém parcerias agrícolas com a Venezuela, parabenizou Maduro e defendeu que Lula reconheça o resultado da eleição.
Em carta enviada ao presidente brasileiro, o MST e outras organizações de esquerda pediram que o Brasil respeite a "soberania popular venezuelana" e reconheça a vitória de Maduro. O documento acusa a oposição venezuelana de promover instabilidade e polarização, ameaçando a paz na região.
Parceria Brasil-Venezuela
Em setembro, Maduro anunciou um acordo com o MST para o desenvolvimento de 10 mil hectares agrícolas na Venezuela. Durante o evento, lideranças brasileiras e venezuelanas reafirmaram a necessidade de fortalecer laços entre os dois países em áreas como agricultura e economia.
A participação de figuras do PT e MST na posse de Maduro reforça o apoio explícito de setores da esquerda brasileira ao regime chavista, mesmo em meio às acusações de fraude eleitoral, repressão política e crise econômica que afetam o país vizinho.
Comentários: