‘Quentinhas Invisíveis’: Governo Lula é investigado por irregularidades em contratos milionários com ONGs
Por MS Conservador
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A ONG das Quentinhas, responsável por uma ação do Ministério do Desenvolvimento Social que distribui refeições a populações vulneráveis, contratou uma empresa do próprio dono e outra de um sobrinho dele. A apuração é do jornal O Globo.
Segundo o veículo, além dos R$ 5,6 milhões do projeto Cozinha Solidária, o Movimento Organizacional Vencer, Educar e Realizar (Mover Helipa) firmou um acordo de R$ 5,2 milhões com o governo federal para promover cursos de capacitação a moradores de baixa renda da periferia da capital paulista.
Essa verba, sob responsabilidade do ministério, veio do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), reserva da União destinada a bancar o seguro-desemprego, o abono salarial e ações relacionadas ao desenvolvimento econômico.
Depois de ser procurada pelo jornal O Globo para falar sobre o serviço, a pasta informou que suspendeu pagamento referente ao convênio de treinamento em áreas carentes.
Conforme o veículo mostrou na quinta-feira 30, a ONG, comandada por José Renato Varjão, ex-assessor do deputado federal Nilto Tatto (PT-SP) e do deputado estadual de São Paulo Ênio Tatto (PT), subcontratou outras entidades em nome de atuais ou ex-integrantes de gabinetes petistas para produzir e distribuir refeições.
Representantes dessas ONGs admitiram que estão entregando um número de refeições por mês inferior ao estipulado no contrato. O programa Cozinha Solidária foi lançado em março de 2024 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante uma cerimônia no Palácio do Planalto.
Além da distribuição de quentinhas, o ministério comandado por Wellington Dias (PT) firmou contrato com a ONG para promover atividades que facilitem o acesso ao mercado de trabalho para moradores das favelas de Heliópolis, na zona sul de São Paulo, e do Parque Santa Madalena, na zona leste. Com os recursos federais em mãos, Varjão destinou parte do dinheiro para uma empresa da qual ele mesmo é sócio.
No cadastro da Receita Federal, a empresa declara atuar na organização de feiras, congressos, exposições e eventos. Entretanto, no contrato com a Mover Helipa, firmado por R$ 96 mil, a firma ficou encarregada de prestar “serviços especializados, como consultor de relações institucionais”.
“Os diretores da instituição que executam o trabalho podem receber pelo projeto. Está tudo dentro da lei”, argumenta Varjão ao O Globo.
Outra empresa contratada pertence a Jhonatas Varjão Ferreira, sobrinho do responsável pela ONG. O contrato prevê um repasse de R$ 72 mil para a prestação de “serviços especializados como analista de comunicação”. O curioso é que o contrato foi assinado em 1º de dezembro, três dias antes da abertura oficial da empresa na Receita Federal.
“Eu fui um dos fundadores da ONG, junto com meu tio, mas agora voltei depois de passar por outros empregos”, disse. “Sou consultor de comunicação e cuido de redes sociais.”
Varjão afirma que a escolha do sobrinho foi baseada em sua “capacidade técnica”, não em laços familiares.
Além da capacitação, o Ministério do Desenvolvimento Social afirmou que o convênio também previa a “construção de uma cozinha-escola”. O órgão garantiu que todas as apurações estão sendo conduzidas com total transparência.
Caso sejam confirmadas irregularidades, os repasses poderão ser suspensos, e outras providências serão tomadas de acordo com a legislação vigente.
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