A tentativa de explorar brechas das regras eleitorais acabou colocando a campanha de Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão, em uma situação crítica. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a suspensão imediata dos atos de campanha após identificar que 16 perfis utilizados pelo candidato só foram informados à Justiça Eleitoral 12 dias depois do registro da candidatura. Para o ministro Dias Toffoli, houve uma “omissão estratégica” que teria permitido à campanha obter uma vantagem indevida.
O ponto central da decisão é simples: enquanto outros candidatos estavam submetidos às regras de identificação eleitoral, os perfis utilizados por Renan permaneceram fora da relação oficial durante parte da campanha. Segundo Toffoli, um dos perfis, com mais de 81 mil seguidores, já promovia propaganda eleitoral e recebia recomendações de outros candidatos. A decisão considera que a estratégia não pode ser tratada como mero detalhe burocrático, especialmente porque as normas eleitorais estabelecem que os endereços digitais utilizados na campanha devem ser declarados no momento do registro.
Na prática, a consequência foi pesada. Renan está impedido de realizar atos de campanha, participar de debates e utilizar recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, além de ter os perfis questionados submetidos à suspensão. A equipe deverá ainda apresentar informações sobre as publicações feitas desde 7 de agosto, sob pena de multas. Renan classificou a decisão como “absurda” e anunciou que pretende recorrer. O episódio, porém, deixa uma lição política elementar: em uma disputa eleitoral, tentar ser mais esperto que as regras pode acabar custando justamente a campanha que se pretendia fortalecer.