Lula que reclama da taxa de 50% dos EUA contra o Brasil, e até fala em “violação da soberania”, agora fica pianinho diante da Venezuela. O governo chavista, que o petista tanto elogia, resolveu passar por cima do acordo comercial em vigor e impôs tarifas de importação que chegam a 77% sobre produtos brasileiros. Isso mesmo: até 77%. E o Planalto? Silêncio constrangedor.
O golpe foi direto no bolso do produtor e do exportador brasileiro, especialmente em Roraima, estado que mais vende para o país vizinho. Só em 2024, foram mais de 144 milhões de dólares em exportações. Agora, com as novas tarifas, esse comércio está sob risco — e quem paga a conta é o setor produtivo nacional.
Pior: a Venezuela não apenas descumpre o Acordo de Complementação Econômica (ACE nº 69), assinado em 2014 e que garantia isenção para a maioria dos itens brasileiros, como também dificulta a emissão de certificados de origem, inviabilizando as exportações na prática. O acordo virou papel molhado diante da conveniência ideológica de Maduro.
Enquanto isso, o governo brasileiro se limita a “pedir esclarecimentos” e “acompanhar com preocupação”. Nenhuma nota de repúdio, nenhuma retaliação comercial, nenhum gesto de firmeza. Diferente do tom inflamado usado por Lula contra os Estados Unidos, quando protestou contra a sobretaxa ao aço brasileiro, acusando Washington de interferir na economia do país. Com a Venezuela, o tom muda — e a coragem desaparece.
A verdade é simples: quando se trata de regimes aliados ao seu projeto ideológico, Lula engole sapo e posa de estadista. Mas quando o embate é com democracias que não se alinham com seu discurso, o presidente sobe o tom, joga para a plateia e fala em “ataques à soberania”. Dois pesos, duas medidas — e o prejuízo fica com o Brasil.
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