O governo Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de 15,04% no Bolsa Família, elevando o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691 a partir da folha de outubro. O valor médio deverá passar de R$ 675 para R$ 777. A medida representa uma correção mais de duas vezes superior ao reajuste aplicado ao salário mínimo neste ano. O piso nacional passou de R$ 1.518 para R$ 1.621, alta de 6,8%.
A diferença entre os percentuais coloca em discussão a forma como o governo distribui os ganhos de renda entre trabalhadores e beneficiários de programas sociais. Enquanto o salário mínimo é a referência para milhões de trabalhadores e também para aposentadorias, pensões e outros benefícios, o Bolsa Família é uma transferência destinada a famílias que atendem aos critérios de renda do programa. O contraste, portanto, não permite concluir que beneficiários não trabalhem, mas evidencia que a atualização anunciada para o programa social será proporcionalmente maior que a correção do piso nacional.
O momento do anúncio também chama atenção. A medida foi apresentada 17 dias antes do primeiro turno das eleições de 2026, enquanto os novos valores começarão a ser pagos em outubro. O governo estima impacto de R$ 5,8 bilhões em 2026 e cerca de R$ 22 bilhões em 2027. A justificativa oficial é a recomposição da inflação acumulada desde a reformulação do programa, mas o calendário eleitoral coloca a decisão no centro do debate sobre responsabilidade fiscal, transferência de renda e valorização do trabalho formal.