O ex-funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Mike Benz, declarou nesta quarta-feira (6) à Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados que o chamado "deep state" americano teria interferido diretamente nas eleições presidenciais brasileiras de 2022.
Segundo Benz, houve uma triplicação das verbas da agência USAID para financiar ONGs e sindicatos com o objetivo de atacar Jair Bolsonaro (PL) e favorecer a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com o ex-oficial, a ação foi disfarçada como combate à desinformação, mas teria, na prática, operado para manipular a narrativa política no Brasil e impedir a reeleição do então presidente.
A acusação gerou forte repercussão entre parlamentares da oposição, que intensificaram as pressões por anistia aos presos dos atos de 8 de janeiro de 2023 e o impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes.
Oposição ocupa Congresso e pressiona por anistia e impeachment
Na noite de terça-feira (5), deputados e senadores da oposição ocuparam as mesas diretoras da Câmara e do Senado, em protesto contra a prisão domiciliar de Bolsonaro — determinada por Moraes — e pela omissão, segundo eles, das presidências das duas Casas.
O grupo exige que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), paute o projeto de anistia ampla, geral e irrestrita aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro. Ao mesmo tempo, pressionam o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a aceitar e dar andamento ao pedido de impeachment de Alexandre de Moraes, liderado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“Sequer o telefone ele está atendendo, e eu jamais esperava isso dele”, disse Flávio, referindo-se a Alcolumbre.
38 senadores já apoiam impeachment de Moraes, diz Nikolas
De acordo com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o número de senadores favoráveis ao impeachment de Moraes subiu para 38. Faltariam apenas 3 votos para alcançar os 41 necessários para iniciar a tramitação no Senado. No entanto, o avanço do processo depende exclusivamente do presidente da Casa.
Atualmente, segundo Nikolas, o cenário é o seguinte:
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38 votos favoráveis
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19 contrários
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24 indefinidos
Para a aprovação final do impeachment, seriam necessários 54 votos (dois terços do Senado).
Barroso pode deixar o STF; governo articula sucessão
Enquanto isso, cresce nos bastidores de Brasília a especulação de que o presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, possa antecipar sua saída da Corte após o fim de seu mandato na presidência do tribunal, em setembro de 2025.
De acordo com o portal Poder360, há articulações para que Barroso aceite um cargo diplomático — possivelmente uma embaixada na Europa, como a de Portugal. Se confirmada, a saída abriria uma nova vaga no Supremo para indicação do presidente Lula, que já nomeou um ministro após a aposentadoria de Rosa Weber e aguarda a próxima aposentadoria de Ricardo Lewandowski.
Barroso, no entanto, nega qualquer intenção de deixar o STF antes da aposentadoria compulsória, aos 75 anos.
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