A CPMI do INSS expôs nesta quinta-feira um escândalo envolvendo a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), entidade com forte ligação política ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT. Segundo a auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), a confederação teria arrecadado R$ 3,47 bilhões em descontos realizados diretamente nas aposentadorias e pensões, valor que pode ser ainda maior, chegando a R$ 3,6 bilhões, conforme estimativa da própria CGU. A revelação foi feita por Eliane Viegas Mota, diretora de Auditoria de Previdência e Benefícios da CGU.
Convênio mantido apesar de alertas técnicos
Apesar dos pareceres contrários da CGU e da Procuradoria Federal, que recomendavam o fim do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o INSS e a CONTAG — incluindo a possibilidade de ações judiciais para reparação de danos — o convênio foi renovado em 27 de agosto de 2024. O INSS, por meio de despacho do procurador-geral, reformulou a recomendação contrária e manteve o acordo, alegando a “longa tradição” da CONTAG, que possui o ACT há praticamente 30 anos.
Ligações políticas históricas
A CONTAG é historicamente ligada ao PT e ao governo Lula. Desde os anos 1980, dirigentes da confederação participaram de mobilizações e campanhas que consolidaram o partido no campo. Durante os mandatos de Lula, a entidade manteve proximidade com o Planalto, frequentemente presente em eventos do governo e em negociações políticas de interesse do Executivo.
Analistas políticos apontam que essa relação histórica contribui para a força da CONTAG, mesmo diante de pareceres técnicos contrários. Para a oposição, o governo Lula estaria privilegiando aliados tradicionais do sindicalismo às custas dos aposentados e pensionistas mais pobres.
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