A Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) publicou nas redes sociais um posicionamento contra qualquer intervenção militar na Venezuela e na América Latina, alegando defesa da paz, da soberania dos povos e do direito internacional. A manifestação, no entanto, gerou forte reação, inclusive de um aluno venezuelano da própria instituição.
Nos comentários da publicação, o estudante afirmou que a universidade “não sabe nada” sobre a realidade vivida pela população da Venezuela e criticou o que chamou de uma visão ideológica e distante dos fatos. Segundo ele, o colapso do país é consequência direta de anos de autoritarismo, repressão política, destruição das instituições e da permanência de Nicolás Maduro no poder. “Uma coisa é estudar política internacional, outra é viver sob o regime”, escreveu.

A publicação da UFGD foi interpretada por críticos como uma defesa indireta do governo de Nicolás Maduro, especialmente em meio à repercussão internacional sobre a queda e prisão do ditador venezuelano. Após a reação negativa, os comentários no post passaram a ser limitados.
Além da manifestação do aluno, o vereador Rafael Tavares (PL) também criticou o posicionamento da universidade. Segundo ele, a UFGD atua como agente de militância política. O parlamentar afirmou que, em uma democracia, é aceitável que políticos ou indivíduos apoiem quem quiserem, mesmo regimes autoritários, pois a liberdade de opinião é garantida.
No entanto, para Tavares, esse mesmo critério não se aplica a uma universidade pública. De acordo com o vereador, não é aceitável que uma instituição de ensino saia em defesa da continuidade de um regime autoritário.
O episódio reacende o debate sobre o papel das universidades públicas brasileiras em temas internacionais sensíveis e sobre a distância entre discursos institucionais e a realidade vivida por quem enfrentou regimes autoritários.
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