A tão esperada CPMI do INSS nem começou e já dá sinais de que vai terminar em pizza. Nesta sexta-feira (15), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou os nomes que vão comandar a comissão: o senador Omar Aziz (PSD-AM) será o presidente, e o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), o relator.
Ambos têm histórico de alinhamento com o governo Lula. Aziz, figurinha carimbada da CPI da Covid, sempre orbitou os interesses do Planalto. Já Ayres, embora rotulado como “moderado”, é do mesmo partido de Motta e dificilmente fará algo que desagrade quem o colocou ali.
Detalhe importante: o Partido Liberal, que propôs a comissão, ficou de fora dos principais cargos. Hugo Motta chegou a cogitar Nikolas Ferreira (PL-MG) para a relatoria, mas o nome foi descartado rapidamente — talvez porque pudesse incomodar demais.
Ou seja, uma investigação sobre fraudes e desvios no INSS, que envolve bilhões de reais e afeta diretamente a vida dos brasileiros, começa sob o comando de nomes próximos ao governo que pode ter interesse em limitar os danos. Difícil esperar algo sério nesse cenário.
O roteiro é velho: comissão é criada, holofotes se acendem, discursos inflamados são feitos — e no fim, nada acontece. O brasileiro continua sem atendimento no INSS, e os verdadeiros culpados seguem impunes.
Mais uma vez, a política brasileira parece preferir o jogo de bastidores à verdade. A CPMI do INSS mal nasceu e já tem cara de encenação. E, como sempre, vai dar em pizza.