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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2026

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Censura, perseguição e tarifa: o Brasil entrou na lista negra da liberdade

Artigo de Opinião por Marcelo Demirdjian.

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Censura, perseguição e tarifa: o Brasil entrou na lista negra da liberdade
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Há poucos anos, o Brasil vivia um surto coletivo contra um juiz. Dizia-se, em colunas inflamadas e discursos de palanque, que aquele homem togado era o grande responsável pela destruição da economia nacional. Seu nome era repetido como sinônimo de autoritarismo, vaidade judicial e protagonismo perigoso. Ele, diziam, teria sido o algoz da Petrobras, o vilão da construção civil, o carrasco dos empregos. Tudo isso por sua “cruzada pessoal” contra a corrupção.

Um artigo no Brasil247 (12/02/2021) atribuiu à operação Lava Jato uma retração de 25% nos investimentos da Petrobras, queda de 28% na construção civil e perda de 1 milhão de empregos. O texto falava em R$ 142 bilhões de impacto negativo para recuperar apenas R$ 2,5 bilhões. Concluía que tudo fora resultado de um projeto pessoal, vaidoso, “midiático”.

Quem diria que em 2025, não apenas a economia estaria em frangalhos, com retração nos investimentos estrangeiros, crescimento anêmico, desconfiança generalizada e que o país entraria oficialmente na lista negra do mundo livre, mas não veríamos o mesmo alvoroço?

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Nesta semana, os Estados Unidos — sob comando de Donald Trump — anunciaram uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, justificando explicitamente, em carta oficial, que o Brasil “censura plataformas digitais” e “persegue opositores políticos via seu Judiciário”. A carta menciona de forma inequívoca as decisões da Suprema Corte Brasileira e os impactos da guerra política travada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro — que coincidem com ações contra empresas americanas de tecnologia.

O recado não foi dado por “analistas” ou colunistas, mas por uma potência estrangeira, em ato diplomático formal.

Curiosamente, os mesmos que outrora vociferavam contra o “protagonismo judicial” e alertavam que “suspeitas de parcialidade” podiam destruir a economia, agora se calam — ou aplaudem. O tom mudou. Antes, acusar um juiz de interferir na economia bastava para criar comoção. Hoje, diante de um documento oficial que vincula diretamente sanções econômicas ao comportamento político do Judiciário brasileiro, a imprensa relativiza. A pauta não é mais “abuso de poder”, é “defesa da soberania”.

O paralelo é inevitável: a Lava Jato recuperou bilhões, expôs a promiscuidade entre empreiteiras e partidos, e resultou em punições a figurões de todas as cores - por pouco tempo, infelizmente -, mas foi tratada como ameaça à estabilidade econômica. Por outro lado, as ações do STF de hoje, com consequências econômicas muito mais gravosas e objetivos muito menos inspiradores são retratadas como guardiãs da democracia e, agora, da soberania.

O mais estarrecedor, no entanto, não é a sanção em si. É o silêncio. Os mesmos que, na década passada, gritavam contra o “protagonismo judicial” agora fingem não ver.

Denunciando a cegueira parcial, Luiz Philippe de Orleans e Bragança acerta: “Trump resolveu tratar o Brasil tal qual é a realidade: o Brasil atualmente é inimigo do mundo livre, fazem censura e perseguição de opositores. Tarifas e sanções são ruins para o Brasil, mas é o tratamento padrão para os inimigos da liberdade.”

No fim das contas, não era sobre economia, era sobre narrativa.

Artigo de Opinião por Marcelo Demirdjian, advogado, professor universitário e doutorando em Desenvolvimento Local pela Universidade Católica Dom Bosco. Mestre em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, foi agraciado com a Medalha de Mérito Advocatício do Estado de Mato Grosso do Sul em reconhecimento à sua contribuição jurídica e acadêmica.

 

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